A vantagem dos criadores pequenos é conhecida: custam menos, a audiência confia mais e o nicho é
mais preciso. A parte que não se conta é o custo de coordenação.
Uma campanha com um criador grande tem um interlocutor, um contrato e uma entrega. A mesma verba
repartida por dez criadores tem dez de tudo, incluindo dez pessoas para lembrar do prazo.
O que muda mesmo
A negociação. Muitos criadores pequenos não têm agência nem tabela. Isto significa mais margem e
mais tempo a explicar como funciona.
O briefing. Quanto mais apertado, pior o resultado. O valor do criador pequeno está no formato
dele. Um briefing que impõe guião transforma a peça em publicidade evidente e apaga a vantagem.
Os prazos. Fazem isto ao lado de um emprego. Duas semanas é o mínimo razoável, e um lembrete a
meio não é falta de confiança, é gestão.
Os direitos. A parte mais esquecida. Se a marca quiser usar a peça em anúncios ou no próprio
perfil, tem de estar escrito, com duração e território. Pedir depois custa mais e às vezes não é
possível.
O que medir
Alcance por criador é a métrica óbvia e a menos útil. O que interessa: comentários com perguntas
sobre o produto, tráfego com origem identificada (uma ligação etiquetada por criador resolve
isto) e o que acontece nos 7 dias seguintes, não no dia.
Como escolher
Não pelo número de seguidores. Por três sinais:
- Os comentários são conversas ou são emojis?
- Já falou de produtos parecidos? Se nunca falou, a audiência não está habituada e a peça vai
destoar. Se fala todas as semanas, a recomendação vale pouco.
- O que faz quando não está a ser pago? É o melhor indicador do que vai fazer quando estiver.
O erro caro
Tratar dez criadores como uma campanha e não como dez relações. Quem faz a primeira campanha bem
volta a trabalhar por menos na segunda, e a terceira já é quase uma parceria. O valor acumula-se em
quem repete, não em quem faz uma vez com muita gente.