O planeamento anual começa cedo demais para ter dados e tarde demais para mudar alguma coisa. E
quase sempre parte do plano anterior, o que garante que os erros se transportam.
Antes de abrir o documento novo, sete perguntas sobre o ano que está a acabar.
1. O que produzimos que ninguém viu?
Não as peças com poucos resultados: as que consumiram trabalho desproporcionado para o que
devolveram. Costuma haver um formato inteiro nesta lista.
2. O que resultou e não repetimos?
Mais comum do que parece. Uma peça funciona, toda a gente comenta, e nunca mais se faz nada parecido
porque o calendário já estava cheio.
3. Onde é que perdemos tempo em coisas que não são conteúdo?
Aprovações, procura de ficheiros, reuniões de estado, relatórios que ninguém lê. Somar as horas. É
sempre mais do que se estima e é a poupança mais acessível do ano seguinte.
4. Que promessa fizemos que não conseguimos cumprir?
Uma frequência, um formato, um canal novo. Perceber porquê antes de a repetir no plano seguinte.
5. Que canal cresceu sozinho?
Se alguma coisa cresceu sem esforço proporcional, vale a pena perceber porquê antes de assumir que
foi sorte.
6. O que mudou no negócio que o conteúdo ainda não reflete?
Produtos novos, público novo, preço novo. O conteúdo costuma andar seis meses atrás das mudanças de
negócio.
7. O que é que vamos deixar de fazer?
A pergunta que falta em todos os planos. Um plano que só acrescenta é um plano que não vai ser
cumprido, porque a equipa é a mesma.
Como usar as respostas
Escrever as sete respostas antes de escrever qualquer objetivo. Depois, o plano tem de responder a
pelo menos quatro delas de forma visível. Se não responder, é o plano do ano anterior com datas
novas.
Uma nota sobre objetivos
Objetivos de audiência (seguidores, alcance) dependem de decisões de plataformas que ninguém
controla. Objetivos de atividade (produzir, publicar, responder) dependem só da equipa. Um plano com
os dois tipos, e com a distinção clara entre eles, é o único que sobrevive a uma mudança de algoritmo
em março.