Sempre que um formato novo cresce, declara-se a morte do anterior. Aconteceu ao texto quando chegou
a imagem, à imagem quando chegou o vídeo, e ao carrossel quando chegou o vídeo curto.
O carrossel sobreviveu por uma razão prática: é o formato que se guarda. Um vídeo vê-se e
passa-se. Um carrossel com sete passos úteis fica guardado para quando fizer falta, e guardados são
um sinal forte de distribuição na maioria das redes.
Onde o carrossel ganha
- Processos. Qualquer coisa com passos numerados lê-se melhor por cartões do que em vídeo.
- Antes e depois. A comparação lado a lado funciona por deslizamento, não por corte.
- Densidade. Cabe mais informação num carrossel do que em 30 segundos de vídeo, e sem obrigar
ninguém a ouvir.
- Reaproveitamento. Um carrossel bom vira artigo, apresentação e email sem se refazer nada.
Onde é preguiça
Quando o carrossel serve só para partir um texto que devia ter sido um texto. Sete cartões com uma
frase cada não são um carrossel, são uma publicação escrita em letra grande.
O sinal de alarme: se os cartões do meio podem ser vistos por qualquer ordem, não há sequência, e
sem sequência não há razão para deslizar.
As regras que continuam a decidir o resultado
- O primeiro cartão faz uma promessa concreta. "5 erros" não chega. "5 erros que fazem uma
campanha gastar o orçamento em três dias" chega.
- O segundo cartão prova que a promessa vai ser cumprida. É onde se perde a maior parte das
pessoas.
- O último cartão pede alguma coisa. Guardar, comentar, ir a um sítio. Um carrossel que acaba
em "e é isto" desperdiça a única audiência que chegou ao fim.
Uma nota sobre o LinkedIn
No LinkedIn o carrossel entra como documento e continua a ter distribuição desproporcionada face ao
texto simples. É provavelmente o sítio onde o formato está menos gasto, e onde a barra de qualidade
visual é mais baixa, o que é uma oportunidade para quem tem design.